25 de jan. de 2016


Coluna do Masters – “O Corvo”


The Raven
Vivemos insanamente aventuras incalculáveis nas mais diversas páginas dos livros que encontramos. Absorvemos características, tomamos como exemplos, nos apaixonamos perdidamente por personagens fictícios e histórias mirabolantes. Existem aqueles que vão além, trazendo a obra para o real transformando em insanidade existencial o que deveria ser fantasia. Que os contos maquiavélicos de Edgar Allan Poe tirem o nosso folego da melhor forma possível, apenas isso, pois não queremos que assassinatos tão complexos ocorram realmente.

Dica da semana...
A arte costuma caminhar para além do tempo, inspirando e gerando novas obras por gerações. As diversas percepções do mesmo ângulo geram resultados surpreendentes, benéficos e maléficos, tudo dependendo da visão do artista que cria e da compreensão do público que recebe. Edgar Allan Poe se encontra a beira da falência por não conseguir mais produzir prestigiados contos. Atarantado, o mesmo busca freneticamente publicar alguma coisa que lhe renda lucros garantindo novamente prestígios. Em meio a busca pelo sucesso, uma onda de crimes começa a ocorrer na cidade, com bastante semelhança nos contos de Edgar, cada um mais cruel que o outro. Na busca pelo criminoso, o detetive Emmet entra em acordo com Edgar para solucionar as dicas deixadas pelo assassino que raptou a amada do jovem escritor, buscando desafiar a inteligência do artista em um duelo doentio. 



Para quem já conferiu... (Contém Spoilers)
O Corvo é um filme que traz certas lembranças do famoso “Sherlock Holmes”, sendo diferente em humor ou intensos momentos de ação encontrados facilmente nos filmes do famoso detetive. Aplicando um vocabulário mais rebuscado e atitudes mais comuns nas tentativas de batalhas contra o criminoso, “O Corvo” acaba sendo uma boa escolha para quem gosta do tema investigação e Serial Killers. São tantos pontos que o longa poderia ir além, em forma de série ou algo bem mais complexo. Histórias não faltam para uma boa adaptação.
A licença poética corre solta, várias obras são citadas criando um caso só, por sinal a mescla destes contos geram curiosidades sobre os títulos originais completos. O longa pode ser um grande convite para o público conhecer as obras de Edgar Allan Poe.
O começo e o fim se completam, apesar do filme iniciar informando sobre a morte do escritor, ninguém imagina que o mesmo venha a óbito como desfecho final. Interessante pegar o mistério da morte do escritor para gerar um enredo fictício com sentido esclarecedor.
Algumas críticas são fortemente apontadas, como a falta de valor intelectual da população que gera em Edgar sentimentos de ódio e desprezo pela falta de cultura da sociedade. As indignações provem da falta de leitura das pessoas que decepcionam pela lastimável condição.
O jeito de cortejar, a maestria do uso das palavras nos diálogos e escritas, as respostas rápidas e bem colocadas. O vocabulário do filme é bastante interessante, agrega um certo charme e valor a obra, literatura viva, encantamento constante. Os pequenos detalhes trazem toda emoção das investigações que nos fazem se sentir intensamente vivos.
Fãs loucos são um tema bem comum, nesse caso não foi muito diferente, mas deu para criar uma boa história que cativa o público até o último minuto sem cansar. Fora o enredo discreto que não levanta suspeitas sobre o real assassino. Ato desesperado do criminoso para sentir mais uma vez a genialidade de Edgar, certo ou não, o mesmo consegui arrancar uma esplendida obra que lhe arrancou lagrimas de emoção. Filme interessante, com um certo diferencial em composição, excelente dica para quem deseja prestigiar os mistérios das investigações criminais.



Informações:
Direção: James McTeigue
Elenco: John Cusack – Luke Evans – Alice Eve – (...)
Género: Suspense
Espanha – Hungria – EUA – 2012 (1h51min)

Trailer:




Cenas do Filme:










Hélio Masters
Jovem estudante de publicidade e propaganda que se entrega aos diversos estilos buscando compreender a arte de viver.

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15 de jan. de 2016


Coluna do Masters – “A Teoria de Tudo”


The Theory of Everything
Inúmeros são os questionamentos sobre as regras que regem a nossa existência. Condicionados a viver na dúvida, buscamos apoio nas mais diversas fontes para continuarmos o ciclo da vida inserindo um sentido próprio que sobressai ou mergulha na razão. Início o ano com uma dica sensacional, que mistura as artes exatas e humanas construindo possibilidades. Que o amor decifre “A Teoria de Tudo”.

Dica da semana...
Viver é um ato de coragem, encontramos grandes heróis nas causas mais distintas e inesperadas. Feliz daquele que se aventura depositando vida em seus dias, superando a existência através da essência. Intrigado com as distintas questões universais, o jovem astrofísico Stephen Hawking desenvolve uma série de estudos sobre o tempo enquanto vivencia um grande romance com Jane Wilde. Infelizmente uma terrível doença prejudica as suas coordenações motoras gerando grandes problemas físicos. Apesar de todas a limitações, a vontade de continuar vivendo sobressai ao tempo e a razão criando uma história surpreendente. (Produção baseada na biografia de Stephen Hawking)


“ Eles disseram dois anos. ”
Para quem já conferiu... (Contém Spoilers)

Mesmo com as grandes descobertas cientificas feitas ao longo do tempo pelo Stephen Hawking, o filme se trata de um grande romance em torno do seu primeiro casamento, visto que o livro base para este longa foi escrito por Jane, resumindo o lado cientifico, tornando assim um longa bem acessível para os mais variados públicos. A doença e os trabalhos vivenciados por ele acabam que separando as etapas do filme, elevando e diminuindo o ritmo da história constantemente.
Os opostos se atraem e assim nasce o amor. Interessante a pegada que mescla campos distintos como exatas e humanas, religião e ciência. Temos um acordo com base no amor, um influenciando o outro, se completando em suas diferenças, quebrando antigas rinchas e se adequando a condições emocionais. O lirismo é constante, o que nos faz perceber que a poesia flui de todos os lugares, basta observa de outro modo, sentir a magia acontecer, entender que a vida é mais do que conseguimos enxergar.
“Eles disseram dois anos”. A força da companhia, a importância dada, alguns filhos, prêmios, as tentativas em busca do sucesso resultaram em vários anos de vida, conquistas incalculáveis diante de tantos problemas. A grande jogada é mostrar que tudo é possível para quem deseja realmente vencer. Nada melhor que um exemplo real de que não devemos desistir, pois enquanto houver vida, haverá esperança.
Produção muito bem trabalhada, tanto em imagens, quanto em sons. Não mediram esforços para criar cenas épicas e marcantes, tornando a vivencia real em algo surreal, típico de romances literários. Atuação impecável de Eddie Redmayne trouxe um grande diferencial para a trama, realismo sobre a lastimável condição do físico, mesmo quando a movimentação do corpo era mínima, a interpretação ainda sim permanecia surpreendente.
Excelente filme, um romance memorável, indico para todos que pretendem ver algo inspirador e encantador.



Informações:
Direção: James Marsh
Elenco: Eddie Redmayne / Felicity Jones / Tom Prior / (...)
Género: Biografia / Drama
Reino Unido – 2015 (2h3min)

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Cenas do Filme:












Hélio Masters
Jovem estudante de publicidade e propaganda que se entrega aos diversos estilos buscando compreender a arte de viver.

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16 de dez. de 2015


Coluna do Masters – “Uma Viagem Extraordinária”


As vezes nos encontramos perdidos dentro do nosso ciclo social. Como um estranho no ninho buscamos soluções dentre as vastas opções em busca do encontro pessoal. A dica de hoje vai além da simplicidade de uma criança para a genialidade de um cientista explorador. Convido todos para “Uma Viagem Extraordinária” (The Young andProdigious T.S. Spivet)

Dica da semana...
Ardilosos sonhos são o ponto de partida para os desafios da vida. Instigados ao sucesso levantamos em busca de grandes realizações começando com o simples ato de decidir fazer. T.S. Spivet é um garoto prodígio de apenas dez anos que faz uma grande descoberta cientifica e envia suas pesquisas para analises em Washington, EUA. Devido os resultados favoráveis, o jovem é convidado para apresentar seu projeto, mas a instituição não tem conhecimento sobre ele, pensando assim que o mesmo é adulto. Inocente, o menino decide viajar escondido de sua família até o local para receber o prêmio, mesmo mentindo sobre sua real idade. Uma longa jornada retira o garoto dos campos para a selva de pedra trazendo novos conhecimentos.


Para quem já conferiu... (Contém Spoilers)
Filme bem simples, familiar, me lembra “Sessão da Tarde”. Gostoso de se ver, indico para dias de tranquilidade e leveza.
Começamos com o dilema do “estranho no ninho”, uma família repleta de personagens distintos convivendo seus dias afastados da civilização. O filme aborda muito a personalidade do indivíduo, em certas partes é dado ênfase a questão do “como”. Como pode uma família tão diferente ter dado certo? É simples, eles perceberam antes que fosse tarde demais que ainda existia concerto, que era possível recomeçar mesmo com tantas perdas e diferenças.
Um prodígio no meio do nada irmão gêmeo de um garoto totalmente diferente, filho mais novo em comparação à uma irmã estressada com a vida pacata do interior. Filhos de um pai com o pé no passado e uma mãe tão a frente que esqueceu o presente. É bem difícil o convivo, mas o amor salva tudo do caos, a loucura do garoto de fugir em busca do seu sonho foi o divisor de aguas para a história, o abrir dos olhos para todos os integrantes da família.
Alguns pais não concordam quando os filhos questionam sobre, mas geralmente existem os filhos preferidos. Não que todos não sejam amados, mas uns mais que outros. É bem mais normal do que parece, creio que por isso é tão forte a percepção do filme sobre esse ponto. Infelizmente os problemas de carência foram resolvidos tarde demais, mas antes tarde do que nunca.
Belíssima as edições feitas para ilustrar o enredo, efeitos de cálculos, ciências e livros dão um ar mais gracioso a história, trouxe uma visão de mundo detalhada de uma mente ardilosamente juvenil. Grande sacada.
Interessante a percepção pelos sentidos explorando de forma intensa o que percebemos raramente. O cheiro que traz sensações agradáveis de lembranças familiares, as imagens que lembram algo ou alguém, contos que afloram nossa essência. Pequenos momentos do dia-a-dia que fazem a agradável diferença.
A ingenuidade de uma criança gera conflitos intensos, o peso da morte do irmão, a indiferença do pai e a falta de carinho da mãe podem chocar gravemente, mas sorte que tudo entrou nos eixos antes que os traumas tomassem de conta criando um adulto com sérios problemas.
O filme mostra um pouco da manipulação existente na mídia, que forja situações ou apelam para conquistar audiência sem se importar com os sentimentos até mesmo de uma criança.
Por fim é um filme bem tranquilo, enredo simples para se ver calmamente enquanto relaxa em um dia de folga.


Informações:
Direção: Jean-Pierre Jeunet
Elenco:Kyle Catlett / Helena Bonham Carter / Robert Maillet/ (...)
Género: Aventura / Drama / Família
França / Canadá– 2014 – 1h45min.

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Hélio Masters
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1 de dez. de 2015


Coluna do Masters – “Entrevista com o Vampiro”


Hoje ofereço o presente das trevas, prazer terrivelmente deslumbrante do lado sombrio da vida. São inúmeros os contos tenebrosos sobre vampiros, porém tenho este como uma das melhores referências sobre o assunto. A indicação desta semana vai além dos séculos, caminhando no vale da morte em busca de obter uma “Entrevista com o Vampiro” (Interview withthe Vampire: The Vampire Chronicles).

Dica da semana...
Em determinado momento da vida, surtamos com as consequências do destino. Geralmente atribuído a perdas, as dores da existência trazem questionamentos marcantes que moldam nosso ser construindo resultados irreparáveis. Em 1990, na cidade de São Francisco, um jovem jornalista entrevista um rapaz que afirma ser um vampiro. Descrente, o profissional questiona o entrevistado com certa ironia, mas é surpreendido com algumas habilidades do misterioso homem. Assustado, porém intrigado, o repórter se presta a ouvir a história desde a transformação em uma criatura noturna até os dias atuais, revelando 200 anos de uma vida macabra amaldiçoada pela eternidade.
"Eu tenho medo de mim mesmo." - Louis de Pointe duLac


Para quem já conferiu... (Contém Spoilers)
Um filme completamente banhado de conflitos emocionais, questionamentos sobre existência, solidão e sentido para a vida. Atribuo ao longa o elogio de uma das melhores produções sobre vampiros, visto que a imagem da lenda já foi muito destruída com péssimas obras ao longo do tempo.
O filme começa com algo bem comum, a boa e velha história sobre o homem que perde sua amada e se entrega aos pecados da vida em busca da própria destruição. Porém logo vem o diferencial, o jovem desiludido se transforma em uma das piores criaturas existentes gerando uma nova história ainda mais perturbada.
São abordados alguns pequenos detalhes que infelizmente passam as vezes despercebidos em nossas vidas. O nascer do sol, o sabor de um alimento, coisas simples que só percebemos quando perdemos. Inúmeras vezes é bem explorado a saudade do personagem pelo espetáculo solar. Além disso, é imenso o lirismo relacionado a tudo, tanto que a nova condição de vida lhe trouxe um olhar diferenciado ao ponto de ser citado como o questionamento sobre o mundo como um cego ver ou à admiração de um recém-nascido espantado com tanta novidade.
Crucifixos e estacas são ridicularizados, já caixões e sangue são pontos extremamente fortes e chegam a moldar muitas coisas no enredo. Louis em constante conflito sobre o certo e errado no consumo de sangue humano, já Lestat escolhe suas vítimas com apreciação e requinte de quem admira e degusta um bom vinho.
O apreço pela vida mortal transformou Louis em um vampiro diferente e admirado, mesmo com tantas críticas dos seus parceiros, seus inúmeros questionamentos tornaram ele poderoso e desejável como importante companhia. Mas tudo foi proveniente do aprendizado na vivencia com as insanidades de Lestat. Duas personalidades totalmente diferentes dando contraste a obra.
O filme cita algo que eu sempre me questionei. Seria a vida eterna uma maldição? O ponto esclarecido na trama mostra quem sim, mas essa problemática ainda rende bons conteúdos e discursões ramificadas que vão além deste contexto.
O ciclo de carências envolvem os personagens gerando intrigas que trazem destruição de grande parte deles. Podemos perceber que Claudia, Lestat e Armand amavam Louis ao ponto de disputar a companhia dele. Tanto que o “nascimento” de Claudia pode ser atribuído como uma o “golpe da barriga” aplicado por Lestat para segurar Louis, apesar dele também ter criado algumas afeições pela garota, a mesma foi um instrumento de segurança.
Me deleito com todo o figurino, são encantadoras as vestimentas de época que dão maior realidade e expressão a trama. Além da sensualidade que traz personalidade aos mestres da noite. O avanço tecnológico marca o tempo, define épocas e mostra que mesmo com tantos anos se passando os vampiros continuavam com algumas ideologias do tempo em que nasceram.
Por fim, uma obra extremamente marcante e convidativa para a leitura do livro que deu origem a mesma. Que novas ideias possam se inspirar nessa para gerar produções tão boas quanto.


Informações:
Direção: Neil Jordan
Livro: Entrevista com Vampiro (Anne Rice)
Elenco:Tom Cruise / Brad Pitt / Kirsten Dunst / Antônio Banderas / (...)
Género: Fantasia / Drama / Terror
EUA– 1994 – 2h3min

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Cenas do Filme:










Hélio Masters
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20 de nov. de 2015


Coluna do Masters – “Sociedade dos Poetas Mortos”


Feliz daquele que se liberta do padrão e busca compreender o mundo livremente degustando todas as possibilidades possíveis, encaixando um pouco de si mesmo em tudo, entendendo que a vida é um campo de oportunidades. A dica desta semana é uma pura aula de filosofia que engloba um novo jeito de viver, moldando-se perfeitamente em cada ser distinto. Bem-vindos a “Sociedade dos Poetas Mortos” (DeadPoetsSociety), lugar onde a liberdade goza da existência mergulhando na essência.
“ Nós não lemos e escrevemos poesia porque é bonito, nós lemos e escrevemos poesia porque pertencemos a raça humana e a raça humana está cheia de paixão. Medicina, direito, engenharia são ambições nobres e necessárias para manter a vida. Mas poesia, beleza, romance, amor... é para isso que ficamos vivos.  ”

Dica da semana...
Pensando sobre o ciclo da vida, percebemos que seguimos um método lastimável onde formar um capital promissor é a importância cruel no qual nos foi determinado. Ter é melhor do que ser, eis o carma da sociedade. São dias difíceis para os sonhadores, porém felizes os que se aventuram vivendo o que se ama. Em 1959, chega na tradicional academia preparatória Welton, um ex-aluno, agora como professor para ministrar aulas de literatura. Apresentando uma metodologia distinta, totalmente diferente do padrão conservador, logo chama atenção dos alunos que estão acostumados com um sistema metódico, apelidado por eles como inferno. Intrigada com as atitudes do docente, a direção começa a chamar atenção, repreendendo de certa forma o mestre e suas ideologias. Pesquisando sobre a vida do instigante professor, os alunos encontram em seu anuário um trecho escrito: “Sociedade dos Poetas Mortos”. Curiosos, os mesmos vão em busca de mais informações sobre e decidem dar continuidade às esplêndidas e antigas reuniões um dia já vivenciadas pelo seu tutor.



Para quem já conferiu... (Contém Spoilers)
Digamos que este filme é simplesmente a soma de belas filosofias e pensamentos no qual eu admiro e vivencio intensamente. Encaixe de esplendidas ideologias buscando a liberdade de uma vida levemente feliz.
Temos como base um assunto delicado, o sistema de educação robotizado seguindo uma linha de formação, preparando humanos para exercer funções tidas como o ápice para garantir um futuro promissor estabelecido pela sociedade. É lastimável presenciar tal condição, pessoas começam a viver forçadamente os sonhos dos pais e acabam herdando vidas vazias e comuns. A nova didática do professor John Keating (Robin Williams) é fantástica, porém perturbadora aos olhares conservadores, pois atualmente, mesmo com tantas mudanças, esse estilo inovador ainda é pouco aceito, feliz dos profissionais que conseguem viver e aplicar toda essa liberdade. Já tive o prazer de estudar com docentes semelhantes e confesso que fui muito bem impactado.
Admirável a visão de mundo contida neste filme, o lirismo extraído de cada ponto é impressionante. Formoso o jeito delicado e árduo de moldar as palavras para encaixar nos sentimentos trazendo sentidos e instigando a novas percepções. Após o longa, fui pensar sobre e consegui extrair várias vertentes para algo distinto. Em um só comecei a ver vários.
O positivismo de John Keating é contagiante, pessoas assim costumam melhorar o nosso dia e nos fazem acreditar que podemos ser melhores. Notamos assim as mudanças de cada aluno que começaram a se tornar seres-humanos de verdade, pensadores ardilosos amando viver, ousados rapazes sonhadores tendo o prazer de ser eles próprios. Carpe Diem!
Despertando o princípio Carpe Diem, os jovens se entregaram loucamente a causa. Nasceram corações entusiasmados, saltitando atitudes. Da busca incansável pela conquista do coração amado ao gelo quebrado do medo expressivo pela timidez dominante. Jovens maquinados para profissões definidas quebravam suas algemas seguindo o fluxo do rio até a caverna do atrevimento.
Infelizmente o aluno Neil Perry (Robert Sean Leonard) comete suicídio, mas vejo essa morte como essencial na trama. Pois era preciso mostrar que as rédeas postas pelos pais no quesito decisão de carreira profissional, são bastante prejudiciais. Mentalmente mata o ser que vive o vazio de uma vida planejada e sem sentido, triste condição de existência. Acredito que ele permanece vivo na memória dos sonhadores, que o mesmo corre livremente pelo bosque da peça que encenou nos seus últimos dias de verdadeira vida. Viver fisicamente para ele nas condições propostas pelo pai, era o mesmo que morrer todos os dias aos poucos angustiando as dores da infelicidade.
O final é impressionante, magicamente esplendido, digno de aplausos. A subida dos alunos nas carteiras mostrando admiração e respeito pelo tutor é simplesmente fantástico. Resume todo o trabalho apresentado no filme mostrando que vidas tinham sido impactadas e que novos seres agora reinavam em suas próprias existências.
“ Ó capitão! Meu capitão! ”

Informações:
Direção: Peter Weir
Elenco:Robin Williams / Ethan Hawke / Robert Sean Leonard/Josh Charles / (...)
Género: Comédia Dramática
EUA– 1990 – 2h8min.

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Hélio Masters
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12 de nov. de 2015


Coluna do Masters – “O Fabuloso Destino de AméliePoulain”


Dançando a valsa da simplicidade, se entregando ao lirismo eminente, encontra a moça grandes aventuras observando e interagindo com o singelo segmento do dia-a-dia. Amélie não é uma garota comum, por ser quem é, merece todo amor possível. A dica desta semana conta sobre “O Fabuloso Destino de AméliePoulain” (Le Fabuleuxdestin d'AméliePoulain), história encantadora de uma mulher intrigante.
“Ela nunca soube estabelecer uma relação com os outros, quando criança estava sempre só. ”

Dica da semana...
Vivemos em busca de um sentido para a razão pelo qual viver. A vida consiste em um esquema semelhante ao jogo de quebra-cabeças, onde cada peça é de suma importância para a construção da obra final. Amélie Poulain é uma pequena garotinha solitária que busca consolo nas coisas mais simples da vida. Educada pela sua mãe, tratada medicamente pelo seu pai, a mesma vive isolada de outras crianças. O tempo se passa e a menina vira uma bela mulher que certo dia se depara com uma caixinha escondida no banheiro da sua casa. Lá encontrasse alguns segredos de infância do antigo morador do prédio. Amélie decide entregar o “tesouro” ao seu dono e dependendo da reação do receptor continuar fazendo boas ações para todos. Com o sucesso sentimental da entrega, ela decide fazer pequenas coisas para melhorar a vida dos que à rodeiam. Mesmo com tantas ações, a jovem ainda se sente solitária e acaba vivenciando um jogo em busca do amor.


Para quem já conferiu... (Contém Spoilers)
A simplicidade do dia-a-dia é completamente moldada pelo lirismo encontrado nos olhares mais distintos. É impressionante como este filme foi se completando com tantas coisas singelas. Desde enfiar os dedos nos grãos aos pensamentos questionadores de quantos casais sentem orgasmos ao mesmo tempo. Um grande resumo de vivencias que utiliza da linha do tempo para encaixar momentos peculiares.

Em sua construção, o filme carrega um toque sentimental que aborda diferenças agradáveis aos olhos. Cores intensas e bem trabalhadas completam o cenário harmonizando a trama. As melodias são tão deliciosas que sem perceber nos entregamos por completo ao momento, como se vivêssemos na história.

Interessante a abordagem para cada personagem, traz vida até mesmo aos menos importantes. A mistura de estilos, narrativa ativa e algumas montagens modificam o padrão cinematográfico simplificando e agradando ainda mais quem acompanha. Arriscado, porém foi uma jogada de sucesso.

Os quadros do homem de vidro chamam atenção para visão artística, mostram que devemos olhar obras além do físico mergulhando no sentimentalismo por percepção e interpretação.

É possível notar uma certa relação com a teoria do caos, pegada que agrega valor aumentando as possibilidades na trama. A mesma é constantemente mostrada, em especial a morte da princesa Daiana se relacionando com a descoberta no banheiro da Amélie.

Buscando melhorar a vida de todos sem pedir algo em troca, felizmente Amélie é recompensada com conselhos instigantes sobre oportunidades no amor. Fazer o bem sem esperar nada em troca é muito difícil, porém é gratificante ver a felicidade fluindo ao nosso redor.

Algumas mentiras foram contadas como as cartas para a mulher traída e abandonada. Mas é perceptível que mentiras nem sempre são ruins, tudo é uma questão de contexto e finalidade, mentir nem sempre é errado.

As singularidades nas tentativas de aproximação da Amélie com Nino são encantadoras, o comum se torna surreal, a vida toma o sentido místico, costumo dizer que “lindo mesmo é o mundo dos meus olhos”, creio que essa é a pegada, moldar o que todo mundo ver em algo surpreendente.


Informações:
Direção: Jean-Pierre Jeunet
Elenco: Audrey Tautou / MathieuKassovitz / Isabelle Nanty/ (...)
Gênero: Comédia
França / 2002 – 2h0min

Trailer:


Cenas do Filme...










Hélio Masters
Jovem estudante de publicidade e propaganda que se entrega aos diversos estilos buscando compreender a arte de viver.

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