“Todo carnaval tem seu
fim” já diziam Los Hermanos. E como os carnavais, namoros, romances e amores.
Ahh, amores de carnaval. Ao som de marchinhas tradicionais ou de versões mais
animadas de bandas como Beatles, Los Hermanos e outros. Em meio ao calor
humano, animação e bebedeira dois olhares se encontram. Do interior de São
Paulo para o carnaval do Rio, ele se encanta com tudo, da cor da pele, dos
olhos, cabelos, sotaque e jeito. De longe, acanhada ela reage de maneira tímida,
olha pouco e ao ser encarada desvia o olhar.
Então, quem vai se
aproximar? Para ela passar perto já era um passo maior que as pernas, ele que
fosse até lá. Afinal era carnaval e se não fosse ele, haveria um mundo de
possibilidades naquele e nos próximos dias. Mas foi ele, foi ele sim. Baixo,
quase sem barba e ainda nenhuma tatuagem. É, ele não tinha características
chamasse muita atenção dela, mas sem esforço aquele olhar penetrante, fixo a
hipnotizou. Não demorou muito e o paulistano chegou bem humorado, pronto já
ganhou pontos porque homem que faz rir merece muito mais do que sorrisos.
Enquanto ela estava
acompanhada por uma amiga, ele tinha três. Dois foram “caçar” juntos e depois
de algumas horas um voltou bêbado e o outro sem celular. Vindos de cidade do
interior, foram procurar o celular “perdido” e depois de horas, um voltou e o
outro havia sumido, há horas. Enquanto isso, o amigo que ficou já havia perdido
o dia todo tentando algo com a amiga dela que não queria nada, nem com ele, nem
com ninguém, uma chata.
Já a carioca e o paulistano...
pareciam que se conheciam há anos. Dali foram para suas casas, ela na Zona
Oeste e ele na Zona Sul, se arrumaram e foram para uma festa, juntos (e
acompanhados dos amigos dele e a amiga chata dela). E mesmo tendo virado a
noite na rua e bebido todas eles não estavam satisfeitos, afinal daqui a pouco
acaba o carnaval e cada um para o seu lado (ou não). “Acordaram” cedo e foram à
praia, todos juntos novamente, já eram quase uma família e aquela amiga chata
já estava até gostando dos paulistanos matutos.
Mais tarde, foram para
outro bloco, à noite outra festa e na manhã seguinte mais praia já que é o
lugar preferido dela e uma das principais atrações da cidade maravilhosa. Dessa
vez fora à sós, programa de casal mesmo, depois almoçaram juntos, andaram de
bicicleta e passaram a se seguir no Instragram. Na manhã seguinte ele iria
embora, não sabiam quando se encontrariam de novo. Estudante, dono de empresa e
cheio de projetos ele não tinha muito tempo para viagens, ela se formando,
enrolada com trabalho, coisas de casa e família, não pensava em viajar para
férias quanto mais para encontrá-lo.
Na casa dele, os
amigos saíram sem se preocupar com a hora do vôo ou em arrumar as malas. Ele
ficou, preparou o jantar para ela, com direito à sobremesa e luz de velas. Eram
21h, ela chegou, a casa estava toda escura. Foram para o quarto dos meninos,
juntos arrumaram as malas dele, assistiram uma comédia romântica, riram
bastante e por fim, para encerrar a noite com chave de ouro ele foi até a sala
e a pediu para esperar, pouco depois gritou por ela como se algo de muito grave
tivesse acontecido e quando saiu do quarto lá estava uma linda mesa feita com
muito carinho, com sua comida preferida, sobremesa, luz de velas, rosas
vermelhas e ele sorrindo.
Passada aquela noite
dos sonhos era hora de partir, foram juntos ao aeroporto de táxi executivo que
já incluía a volta dela para casa. Despediram-se como se fossem namorados há
anos se separando dramaticamente e por fim, separaram-se com a incerteza de
outros dias e noites como aqueles. Ela chegou em casa ainda sob o efeito
daquele paulistano encantador, mas não deixou-se abalar e lá se foi para mais
um dia de carnaval de rua. Já no bloco ele ligou, “cheguei, amor. Divirta-se” e
ela fez por onde se divertir para tentar parar de pensar no conto de fadas que,
passou.
O carnaval acabou, mas
as mensagens de bom dia, como está e como foi seu dia eram constantes, as
ligações carinhosas eram freqüentes e o encanto não acabou. Depois de uns meses
enfraqueceu, as visitas eram inviáveis para ambos, mas o carinho continuou, as
recordações são muito boas e o carnaval se aproxima. Esse ano ela não vai ter
Vitor por perto, abriu mão dos seus encantos para que alguma sortuda de Ouro
Preto possa ter recordações tão boas quanto a carioca que vai aproveitar o
carnaval genuinamente carioca, com muita alegria, diversidade e sorrisos.
Texto por: Stephany Muzi
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